domingo, 12 de julho de 2009

Mulherzinha, mas exigente.




Mulherzinha! Mulherzinha de vidinha. Tudo no diminutivo mesmo; precisava destacar a mediocridade que a envolvia.
Não tem amor próprio, nem escolha própria; não tem homem, nem cama. Tudo é de terceiros e quartos. Infinitos quartos. Pelo menos sobrara-lhe o corpo pra chamar de seu. Não, nem o corpo! Nada! É de quem a queira, quem pagasse.
O amor não havia; tesão quem sabe. A escolha é dada a quem paga mais. As camas variam de motel em motel: alta, grande, arrumada...E os homens? Delas, das outras. Mas ela quem desfruta, usa os corpos. Corpos grandes, pequenos, viris, másculos, gordos, magros, musculosos; uns tinham mãos frenéticas, outros língua audaz. Tinha também aqueles que com os olhos a despiam, invadiam e degustavam. Mas nenhum prazer era seu. São deles, e somente deles.
Mas do que pode reclamar? É uma puta. Daquelas que sabem exercer o ofício com todo o profissionalismo e frieza possível. É daquelas que você acha fácil nas esquinas, nos bares e bordéis. Mas só os melhores. É exigente!
De vez em quando, se doa de graça a qualquer um que aceite a caridade. É mortal, também precisa se liberar, fantasiar, ter prazer. Taí, de vez em quando tinha prazer próprio.

Acha tudo fulgaz. Tudo! Os sons, os olhares, as pessoas, as palavras. Principalmente estas: as palavras! Seus efeitos, para ela, têm pouca duração e quase nenhum impacto. Com a vida que escolheu, não pode se encantar com o que lhe é lançado em sussurro aos ouvidos. Mas secretamente, quando encontra-se só, cria um homem para ela que lhe diz aquelas mesmas coisas. Mas agora pode-se permitir ao encanto, ao êxtase, quiçá ao gozo.
Mas não pode lamentar da vida que tem. Ao menos sobrevive, paga as contas.
É claro que amou! E foi por justamente amar que se tornou meretriz. Na verdade, foi mais pelo seu covarde e, digamos, repulsivo medo de amar; medo de se permitir, se entregar aos delírios e as impulsividades de um amor juvenil.
Mas agora era tarde, e não lamentava mais. Na verdade detestava e odiava bancar "a coitadinha". É o que é: uma puta e pronto! Por escolha mesmo.
É daquelas que se pode ver que nasceu para o ofício. É daquelas que você acha fácil nas esquinas, nos bares e bordéis. Mas só os melhores.
É exigente. Pelo menos a exigência é por vez DELA!

6 Por aqui, um pouco mais de "etc.":

Mari disse...

ô pró, como faz pra ser ? AHEUIIAOEHIE

Adoro sua clareza :]

airlon disse...

'E foi por justamente amar que se tornou meretriz.'; nunca tinha parado pra pensar nessa hipótese, de fato faz sentido. Talvez seja uma espécie de fuga pra quem um dia já teve um amor reprimido. Talvez também essa seja uma boba impressão minha... bjo, saudações musicais!

APS

Luna Sanchez disse...

Nana,

Estou impressionada com a fluidez das tuas palavras. Sempre achei que falar de coisas simples, de um jeito rebuscado, é arte, claro. No entanto, falar de coisas simples de forma simples, e ainda assim ser impactante, é dom!

Esse texto é áspero, ácido, realista. A ternura dos sonhos escondidinhos tenta passar pelas frestas, mas não consegue mostrar-se toda, dá só o arzinho da graça (arzinho, assim mesmo, no diminutivo).

Gosto daqui.

Dois beijos,

ℓυηα

Denise disse...

Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos

Caprichos de quem ama...

ja te disse o qto amo sua acides doce?

adoro

Denise

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

O Néctar da Flor oferece um selo DIGA NÃO AO PLÁGIO! Somos originas, porque somos únicos. Cada ser um humano tem uma emoção individual. Por mais que as palavras e os pensamentos sejam parecidos, não temos o direito de pegar algo de alguém e dizer que é nosso. Não podemos trocar palavras e rasurar o sentir do próximo. Encontramos inspiração em alguém, na natureza, na vida, mas não temos o direito de copiar sentimentos. Inspiração é uma coisa, xerocar palavras alheias é outra.



Beijos jogados no ar, sempre!



[para pegar o selo clique na imagem]



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~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Nana,

Não sei o que é mais envolvente nessa baiana. Se são as palavras que pegam pela cintura ou esse carisma que sentimos pelo cheiro.

Você é uma linda, menina.

Beijo imenso.

Rebeca

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