quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Apenas pensei...

(eu, eu mesma; por Charles Ventura)

Balbuciou algo que não consegui escutar. O radinho de pilha abafava o som da voz dele.
Só me atentava aos seus gemidos abafados, sua respiração ofegante e desritmada. O suor irrigava nossas peles e encharcava o lençol. No quarto, uma mistura de incenso, perfume de quinta e cigarro.
Eu era volúpia e só. Pensava em uma única coisa: ter ele em mim. Dentro de mim. Para mim.
Sua boca era quente, me bebia, sussurrava, me calava. Afoito, explorava meu corpo como se essa fosse a primeira e última vez. Eu delirava, me contorcia, o beijava.
Não me interessava se estava sendo puta ou não. Nunca consegui manter minha razão intacta perto dele. O cheiro dele, me embriagava tão rápido quanto um vinho barato. Mas também não queria ser racional. Queria ser instinto, gozo, prazer, luxúria.
Agora a noite estava quase no fim. Ele dormia com um ar de vitorioso, um sorriso de canto de boca e a certeza que tinha se saído muito bem. Eu ainda estava acordada, tentando acalmar esse mar de sensações que continuava agitado em mim.
O cheiro do meu cigarro e do sexo pelo quarto eram tentadores. Queria acordá-lo. Queria tudo de novo, mais uma vez...
Levantei enrolada no lençol, caminhei até a janela. Mais um dia se levantava junto com o sol.
Pensei no quanto eu o desejava para mim, no quanto eu o queria perto; pensei o quanto a gente se combina, se dá bem; pensei que ele seria o cara que não pensaria duas vezes em viver junto. Podia até arriscar dizer que era bem mais que paixão.
Mas sentimentalismos baratos sempre me deram calafrios. Sempre tenho a sensação que me torno uma idiota vulnerável.
Acendo outro cigarro e termino a taça de vinho esquecida. Olho mais uma vez a fumaça se desmanchando no ar.
Ele continua dormindo. E naquele momento ele é o meu homem. Chego perto do seu ouvido disposta a dizer que era meu, mas o medo de ser clichê me impede.
Prefiro me deitar em seu peito. Quem sabe ele não consiga ouvir o quanto eu o quero.




P.S.: A música que tocava no radinho de pilha nessa hora, era essa.

6 Por aqui, um pouco mais de "etc.":

airlon disse...

como diz uma amiga minha acolá: quando isso acontece, é quando passamos dos estado sólido para o gasoso... bjo, saudações musicais.

APS

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Naila,

Gosto tanto dessas suas palavras que sabem a manha. Tudo o que vem de ti tem gingado e cada emoção transmitida requebra com entusiasmo.

Ah menina, você é linda!

Beijo imenso.

Rebeca

-

Luna Sanchez disse...

Sim, volatizar. \o/

Per-fei-to, Nana! Pude sentir até o sabor do vinho, arranhando a garganta.

Beijo enorme, de saudades de ti.

ℓυηα

Cristal - a louca. disse...

Lindérrimo!!!!!!

Sei como é isso honney, cigarros, sexo, querer....

putamerdapaixao.

Clichezaço, mas só os apaixonados entendem.

Beijundas ^^

Cristal - a louca. disse...

Passei pra ver se tinha alguma novidade!

Beijundas honney ^^

Denise disse...

E os dois deram -se os braços e foram para a praça e começaram a se abraçar. e foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou...
Fez,se plural.

saudades enlouquecidas de vc