quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Da condição de ser de carne e osso...



- E me perdoe se não escrevo tão bem quanto se esparava. Mas é que, às vezes, essa condição de mero mortal me atrapalha e muito! Ser feito de carne e osso, é um ofício árduo e daqueles bem complicados. Aprender dia após dia lidar com a dúvida, a falta, a nostalgia, a tristeza, a alegria desmedida, com o real e o imaginário, é uma tarefa que passa longe do que se pode chamar de fácil. E quando tudo se embaraça e resolve acontecer ao mesmo tempo...Céus! Chego a duvidar de minha sanidade.
Aliás creio que minha lucidez já tenha me abandonado há tempos. Esses últimos dias, provam de maneira incontestável, que tenho estado fora do ar, fora de mim.
Aposto que se fosse um "deus" não teria que quebrar tanto a cabeça e ainda sim ter que mantê-la inteira. E ainda me incomoda essa condição de mortal.
Osso, carne, pulso, artérias, veias, sangue fervendo. Pés, mãos, ouvidos, boca, razão. Olhos, cheiro, pele, dedos, amor. Coxas, joelhos, pescoço, paixão. Ódio, dentes, cabelos, narinas, desejo. Para quê tanta coisa em uma simples pessoa? Será que não foi pensado o quão difícil seria e é administrar tudo isso? Chego a pensar que não dou conta disso tudo sozinho. Se eu fosse um "deus"...

Não. Provavelmente morreria de tédio. Não me imagino divino e perfeito. Vai ver que é porque a perfeição passa distante das pessoas feitas de carne e sangue fervido. SE perfeito, seria privado dos meus sentidos. E cá um segredo: reclamo, mas adoro todo esse turbilhão de sentimentos, sentidos, gosto, cheiro, imagens que acontece todos os dias. Talvez se eu fosse um "deus", eu seria insípido, arrogante, egocêntrico e extramente mal humorado.
Com certeza gosto desse jogo, de sentir, ouvir, falar, cheirar, tocar, hesitar, seguir, abandonar, sentir medo, se encher de coragem... E qualquer verbo que me dê a sensação de que sou vivo, falho e mortal.

E perdoe-me. Continuo não escrevendo tão bem quanto se esperava. Mas agora sinto-me aliviado e sortudo por está na condição de mero mortal. Por ser feito de carne, osso e sangue fervido.

5 Por aqui, um pouco mais de "etc.":

Luna Sanchez disse...

Nana,

Somos universos inteiros e complexos, em grande parte desconhecidos, tão surpreendentes, tão lotados de tudo o que há...

Mais um texto lindo, vibrante, verdadeiro. Sou tua fã e tu sabe disso.

Beijos de quarta-feira. Dois.

ℓυηα

airlon disse...

me lembrei de uma frase da Clarice Lispector: 'eu sou uma pergunta'. E sobre ser Deus, isso não tem graça não, falo com conhecimento de causa... (modo irônico: ligado!). Bjo mosa, belo texto, saudações musicais!

APS

Amanda disse...

Isso é porque vc é de carne e osso? Imagina então!
Esses dias comentando sobre blogs com uns amigos, eu disse que o seu eu encadernaria e estaria pronto pra virar livro.
A DO RO.

Liza Santana disse...

Gostei quando tu disse "Com certeza gosto desse jogo, de sentir, ouvir, falar, cheirar, tocar, hesitar, seguir, abandonar, sentir medo, se encher de coragem..."

Seria tão sem graça se tudo fosse tão óbvio, se as pessoas e sentimentos fossem simples.
Gosto do que vejo por aQui..rsrs
=D

Bjo =*

Nara Murta disse...

Acontece que às vezes todos esses sentidos parecem me cutucar, uma pontiinhaaa aguuuda, incomoda.

u.ú